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Desenvolvimento Industrial
O desenvolvimento industrial brasileiro tem sido significativo nas duas últimas décadas. Entre 1947 e 1960, no auge do processo de substituição de importações, foi alcançada notável taxa de expansão do setor industrial. Após 1960, entretanto, diminuiu o ritmo da expansão industrial, tendo em vista o fato de que a infra-estrutura econômica existente não mais sustentava a mesma alta taxa de crescimento.
De 1964 em diante, as autoridades federais adotaram um programa abrangente para superar esses obstáculos e proporcionar uma situação econômica voltada à expansão e à renovação do setor industrial, público e privado. Nos últimos 25 anos, o Brasil obteve sucesso na diversificação e expansão da produção de bens manufaturados e de consumo durável. Além disso, estabeleceu indústrias tecnologicamente sofisticadas, especialmente no campo das telecomunicações, processamento eletrônico de dados, biotecnologia e novos materiais. Quatro setores-chave, como o do aço, o automotivo, o petroquímico e o de serviços públicos, tiveram papel decisivo não só no desenvolvimento do setor industrial, mas também na expansão da economia como um todo.
Desenvolvimento Energético Brasileiro
Petróleo e Petroquímica
Até 1953, a produção de petróleo bruto no Brasil era de cerca de 2.000 barris por dia e a capacidade interna de refino não superava o dobro desse total, tornando o País muito dependente de importações. Naquele ano, após longos e difíceis debates, o Congresso Nacional votou a criação da companhia estatal de petróleo - Petrobras. Por ter direitos exclusivos para exploração e produção de petróleo, a Petrobras rapidamente iniciou a identificação de reservas de óleo comercialmente viáveis, como empreendimentos auto-sustentáveis de larga escala, tendo sido permitido às empresas privadas participações no refino e na distribuição. No início de 1990, impulsionado pela primeira crise mundial de petróleo na década de 70, o Brasil havia triplicado sua produção de petróleo, alcançando, em julho de 1994, a produção de 690 mil barris/dia, tornando-se, também, auto-suficiente no que se refere ao refino. Em 1995, essa produção chegou a 713 mil barris/dia, em 1996 foi de 806 mil barris/dia, tendo sido de 866 mil barris/dia no ano de 1997. A previsão para dezembro de 1998 é de que seja alcançada a produção recorde de 1,2 milhão de barris/dia de petróleo no País.
Desde 1985 a produção interna de petróleo bruto tem oscilado em torno de 55% do consumo nacional, atingindo, em 1998, 64%, mas a meta é alcançar uma taxa de 70% até o ano 2001. Contribuirão para atingir essa meta a consolidação da abertura do setor à iniciativa privada, trazendo novos investimentos em parceria com a Petrobras ou em projetos independentes, e o desenvolvimento e a exploração de um novo campo gigante na Bacia de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, o campo de Roncador, com potencial de 1,3 bilhão de barris. A esse respeito, em 1997, foi sancionada lei que concedeu à iniciativa privada nacional e internacional o direito de participação no setor petrolífero. Dando prosseguimento à decisão, em junho de 1999, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), agência reguladora das atividades do setor petrolífero, realizou licitações para a exploração do produto. Ademais, em setembro de 1999, foi tornada pública a descoberta de novo campo petrolífero na Bacia de Santos. A exploração da Bacia, cujas reservas potenciais estão estimadas entre 600 milhões e 700 milhões de barris, tem início previsto para 2001. Em 1997, a produção média diária de petróleo foi de 869 mil barris e as reservas nacionais provadas continuaram a crescer. Atualmente, a participação dos derivados de petróleo no consumo final de energia encontra-se no patamar de 35% (MME,1998). Estima-se que o custo médio atual de produção de petróleo no Brasil gire em torno de US$ 14 por barril (FIPE, 1996).
A indústria petroquímica brasileira experimentou rápida expansão nas últimas décadas. Existem, atualmente, três complexos petroquímicos no País, localizados nos estados da Bahia (Nordeste), Rio Grande do Sul (Sul) e São Paulo (Sudeste), com capacidade de produção total de etileno, de 1,4 milhão de tonelada por ano.
Indústria de Etanol
Para melhor equilibrar o consumo de petróleo com a produção de óleo no Brasil, foi desenvolvida intensa pesquisa do final da década de 60 até o início dos anos 70, com a finalidade de identificar uma alternativa economicamente viável ao petróleo como fonte de combustível. O etanol, extraído da cana-de-açúcar, foi então escolhido como alternativa. O objetivo do Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), criado em 1975, foi o de utilizar o etanol como combustível substituto da gasolina e aumentar sua produção para uso industrial.
Por volta de 1985, quando o programa já estava em operação por dez anos, US$ 6,5 bilhões haviam sido investidos na produção de 50 bilhões de litros (13 bilhões de galões) de etanol; 500.000 empregos tinham sido criados; 2,5 milhões de veículos estavam rodando com etanol puro e toda a gasolina dos postos teve 20% de mistura de etanol.
Atualmente, o Brasil tem tecnologia e equipamentos capazes de manter uma produção anual de 16 bilhões de litros de etanol e exporta tecnologia, equipamentos e serviços relacionados a esse tipo de produto. Tendo propiciado grande redução do nível de monóxido de carbono liberado pelos veículos automotores, o Pró-Álcool está contribuindo com os esforços do Brasil para a proteção ambiental. Grande número dos automóveis em circulação no Brasil é movido a etanol. Contudo, no período compreendido entre 1985 e 1999, houve significativa redução da produção de veículos novos movidos a álcool, que passou de 96% do total de automóveis a 0,5%.
Geração de Energia
A hidroeletricidade, a lenha e os produtos da cana-de-açúcar contribuem para uma alta participação das fontes renováveis na Matriz Energética Brasileira, correspondendo 58% da Oferta Interna de Energia-OIE. A fonte precípua de energia elétrica é a hidroeletricidade, tendo em vista que o País possui rios de grande volume e, por outro lado, reservas de petróleo e carvão relativamente pequenas.
Dotado de potencial hidroelétrico estimado em cerca de 260 milhões de kilowatts, o Brasil tem investido maciçamente no planejamento e na construção de barragens, para atender à demanda de energia de uma economia em rápido crescimento. A primeira usina hidrelétrica começou a operar no País no início de 1889, com geração de 250 kilowatts, o que representava metade de toda a termoeletricidade gerada na época. Em 1996, a proporção tornou-se bem diferente: 92% de toda energia elétrica gerada era hidrelétrica, e o restante era térmica e geotérmica. Em 1997, 54.970 milhões de kilowatts originaram-se de usinas hidroelétricas, enquanto 4.790 milhões foram gerados em fontes térmicas.
Em 1962, a capacidade de produção energética instalada no Brasil era de 5,8 milhões de kilowatts. Essa capacidade aumentou para 6,8 milhões de kilowatts em 1964, 17,6 milhões em 1974, 37,3 milhões de kilowatts em 1985 (quando apenas 8 turbinas operavam em tempo integral no complexo da hidrelétrica de Itaipu) e 63 milhões de kilowatts em 1997. Em dezembro de 1998, o setor elétrico dispunha de aproximadamente 65 milhões de kilowatts em operação. A capacidade instalada de geração de energia elétrica mais que quintuplicou entre 1970 e 1997.
A hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo, está localizada no rio Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai, próximo às Cataratas do Iguaçu. É um projeto bilateral entre os Governos do Brasil e Paraguai. O Tratado de Itaipu foi assinado em 26 de abril de 1973. A construção começou em meados dos anos 70, e em 1985, três dos 18 turbogeradores (de 700 megawatts cada) começaram a operar. Hoje, com os dezoito turbogeradores em pleno funcionamento, a produção de energia de Itaipu é de 12,6 milhões de kilowatts, divididos igualmente entre Brasil e Paraguai. O projeto tem efeitos a longo prazo, no futuro, sobre todo o território paraguaio e no sudoeste, centro-oeste e sul do Brasil.
A Hidrelétrica de Tucuruí, construída no sudoeste da Bacia Amazônica e inaugurada em 22 de novembro de 1984, adicionou 3,9 4 milhões de kilowatts à capacidade de geração de energia do Brasil. As obras de construção da segunda etapa da usina estão em andamento e às 12 turbinas existentes serão acrescentadas outras 11, que irão ampliar de 4 milhões para 8,3 milhões de kilowatts, em 2006, a capacidade de geração de energia elétrica.
De acordo com dados da Eletrobrás, 25% do total do potencial da capacidade de geração de energia hidrelétrica no Brasil se encontram em operação.
Gás Natural
O consumo de gás natural no Brasil equivale, presentemente, a 6,7 bilhões de metros cúbicos. Nos anos de 1997 e 1998, a produção total atingiu 9,8 milhões e 10,8 milhões, respectivamente. As mais importantes reservas terrestres de gás natural se encontram na Bacia do Solimões, Taquaré e Jatobá, e na Bacia do Paraná, Campo de Barra Bonita. Entre os poços descobertos no mar, destacam-se CES-141 e 142, na Bacia Potiguar (RN), e SES-121, localizado em Sergipe. Para fazer frente à existente disparidade entre produção e consumo, estão sendo realizadas iniciativas no sentido de elevar o volume consumido de gás natural nos próximos anos. Pretende-se aumentar de 2% para 10% a participação do gás natural na produção total de energia do Brasil a fim de diversificar a matriz energética do país e diminuir o consumo de petróleo e de energia hidrelétrica. À luz desses imperativos, foi concebida a construção do Gasoduto Brasil-Bolívia, projeto implementado em parceria com a Bolívia, o país vizinho com maiores reservas de gás natural. Inaugurado em 1999, o Gasoduto Brasil-Bolívia, um dos maiores projetos de infra-estrutura do mundo, liga os municípios de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Guararema, no interior de São Paulo, e fornece cerca de 9 milhões de metros cúbicos diários.
Energia Nuclear
Existe uma usina nuclear em funcionamento no Brasil – Angra dos Reis I – gerando volume de energia e eletricidade estimado em 14.000 gigawatts por hora, o que corresponde a quase 2% do total da energia produzida no País. A geração total de energia elétrica bruta, em 1998, em Angra I, correspondeu a 2.444.215,9 megawatts. Em 1999, na mesma usina, a taxa de produção de energia alcançava a marca de 3.625 gigawatts/hora, o equivalente a 30% da geração de eletricidade no estado do Rio de Janeiro. Angra I e a nova usina de Angra II, cujo início de operação comercial está previsto para junho de 2000, terão capacidade instalada de geração de 1,9 mil megawatts.
Setor Industrial
Indústria Automotiva
Os renovados dinamismo e modernização da indústria automotiva brasileira são em grande parte atribuídos à liberalização comercial que teve início em 1990, à apresentação de modelos de economia em 1993 e ao lançamento do Plano Real em julho de 1994. Entre 1990 e 1997, o Brasil passou de décimo a oitavo produtor mundial de veículos motores. Entre 1994 e 1997, a produção de automóveis cresceu de 1,4 milhão a 2 milhões de unidades. Em 1997, a indústria nacional de automóveis auferiu quase 5 bilhões de dólares de exportações; os veículos motores foram responsáveis por cerca de 10% do valor total de exportações brasileiras no ano. Em 1997, aproximadamente 64% dos veículos exportados o foram para os membros do Mercosul, sendo a Argentina o maior recipiente, com participação de 75% das exportações dirigidas ao mencionado mercado comum. As importações de veículos montaram a mais de 303.000 unidades, das quais 85% foram importadas por fabricantes e 15% por comerciantes. Em 1998, as exportações totalizaram mais de 5 bilhões de dólares, e as importações, perto de 5,4 bilhões de dólares.
Indústria Aeronáutica
Em 1899, quatro anos antes de Willbur e Orville Wright voarem em um aparelho mais pesado que o ar, em Kitty Hawk, Carolina do Norte, Alberto Santos Dumont, um brasileiro, pilotou um dirigível que decolou da pista do Aero Clube da França, circulou a Torre Eiffel e retornou para sua base em 29,5 minutos. Foi um percurso de 11 km. Em 1906, diante de várias testemunhas e grande multidão em Paris, Santos Dumont foi agraciado com a Taça "Prêmio Archdeacon", ao voar em um aparelho motorizado, mais pesado que o ar, por cerca de 250 metros.
Embora o pioneiro da aviação fosse brasileiro, a indústria aeronáutica no Brasil somente foi implantada com determinação há 20 anos. Atualmente, o sucesso das aeronaves inteiramente projetadas e fabricadas no Brasil, pela Embraer, a quarta maior empresa produtora de jatos regionais do mundo, e exportadas para países de todos os continentes, faz da indústria aeronáutica brasileira a sexta maior do mundo. Grande número de aviões da Embraer tem sido vendido para clientes nos Estados Unidos e Europa Ocidental. O "Tucano" da Embraer, um avião movido a turbina, para treinamento militar, é utilizado não só pela Força Aérea Brasileira, como pelas Forças Aéreas de 14 países diferentes. Uma versão mais possante desse tipo de aeronave, o "Super-Tucano", segue os passos seguros de sua antecessora e já está sendo utilizada por diversas Forças Aéreas de países amigos. Atualmente, a empresa detém 35% do mercado mundial do setor. No campo da aviação civil, a Embraer acumula também sucessos. As aeronaves da Embraer estão atualmente em operação em diversas companhias de todo o mundo, notadamente dos Estados Unidos e Europa. A empresa possui subsidiárias nos Estados Unidos, França e Austrália.
Indústria Aeroespacial
A indústria aeroespacial brasileira tem crescido rapidamente. Por intermédio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), a indústria foi oportunamente incluída no Programa Espacial Brasileiro, que compreende a construção de satélites e o lançamento de veículos espaciais, bem como ampla colaboração com a NASA a fim de integrar o Brasil ao bloco de países participantes da Estação Orbital Internacional. O SCD-2, satélite coletor de dados que colhe informações metereológicas e ambientais de plataformas no Brasil e outros países da América do Sul, foi exitosamente lançado em outubro de 1998 em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. Adicionalmente, o lançamento do VLS-1, veículo lançador de satélites, foi feito com grande êxito em 1999. O próximo lançador previsto no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) é o VLS-2. O CBERS, o primeiro satélite de sensoriamento remoto brasileiro, feito em parceria com a China, foi lançado em outubro de 1999. O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em construção desde a década de 80, está , presentemente, em plenas condições de lançar foguetes de sondagem e veículos lançadores de satélites de pequeno porte. A indústria aeroespacial brasileira contribuirá com equipamentos e módulos científicos para a Estação Orbital Internacional. O Brasil é o terceiro maior usuário de produtos do espaço no mundo.
Indústria de Informática
O faturamento do setor de informática estimado para o ano de 1996 foi de cerca de US$ 12,7 bilhões. O faturamento projetado para o ano de 1997 foi de US$ 14 bilhões. A taxa anual de crescimento de receita para o setor, no ano de 1996, foi de aproximadamente 12%. Demais, foram fabricados aproximadamente 1.000 microcomputadores no mencionado ano.
Os produtos de hardware compõem o maior segmento da indústria nacional de informática, com faturamento de US$ 6,4 bilhões e taxa de crescimento de 8,5% em 1996. Entre os principais produtos deste setor estão microcomputadores, computadores de médio e grande porte, impressoras de impacto, terminais bancários, fibras e cabos ópticos, monitores de vídeo e dispensadores de cédulas. O segmento de programas de computador, com participação de 11% no volume total comercializado pelo setor, cresceu 17% e teve faturamento de cerca de US$ 1,4 bilhão em 1996. Constituindo o terceiro e último segmento do setor de informática nacional, a prestação de serviços técnicos apresentou comercialização em torno de US$ 5,5 bilhões no ano de 1996, sendo responsável por cerca de 39% do montante comercializado pelo setor. Os principais pólos de produção de eletroeletrônicos situam-se nos estados de São Paulo e do Amazonas, com predomínio dos produtos de tecnologia de informação no primeiro.
A participação brasileira no comércio internacional de produtos e serviços de informática não chega a 2%. Todavia, o Brasil possui grande potencial para crescimento e exerce influência considerável no comportamento do mercado de informática do Mercosul, bem como constitui um dos principais mercados mundiais de telecomunicações. No ano de 1996, o valor das exportações de equipamentos de informática alcançou US$ 317 milhões, perto de 17% acima da quantia obtida no ano anterior.
O governo brasileiro prescreve generosa política de incentivos fiscais para o setor, com a contrapartida de que os beneficiários obtenham a Certificação ISO 9000 e invistam em pesquisa e desenvolvimento.
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